Foi lançado nesta terça-feira (27) o Guia Intersetorial de Prevenção do Comportamento Suicida em Crianças e Adolescentes. A publicação é da Secretaria da Saúde em parceria com outras secretarias do Estado e entidades que fazem parte do Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. O lançamento ocorreu durante o seminário “Autolesão e Comportamento Suicida na Infância e Adolescência: Prevenção e Posvenção”, que é uma das atividades que marcam a programação do Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

O guia visa orientar profissionais da saúde, educação, assistência social segurança pública e conselho tutelar sobre o tema. O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que pode afetar indivíduos de diferentes origens, faixas etárias, condições socioeconômicas, orientações sexuais e identidades de gênero. Contudo, ele pode ser prevenido, e saber reconhecer os sinais de alerta é o primeiro passo. No caso de crianças e adolescentes, a sua situação peculiar de desenvolvimento exige ações que possam apoiá-los nesta fase e que contribuam para a prevenção da violência interpessoal e da violência autoprovocada.

O material está disponível em formato digital no site da Secretaria da Saúde, pelo endereço saude.rs.gov.br/saude-mental.

Sinais de alerta e fatores de risco

O seminário desta terça-feira, realizado no Teatro do Prédio 40 da PUC em Porto Alegre, teve entre os palestrantes o médico da família e comunidade André Luís Bendl. Na oportunidade, ele falou sobre a “posvenção”, termo criado para designar ações, atividades, intervenções, suporte e assistência para aqueles impactados por um suicídio. Além de apresentar algumas referências teóricas do tema, ele descreveu alguns sinais de alerta do comportamento suicida, entre eles:

– Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança;

– Expressão de ideias ou intenções suicidas;

– Diminuição ou ausência de autocuidado;

– Mudanças na alimentação e/ou hábitos de sono;

– Uso abusivo de drogas/álcool;

– Alterações nos níveis de atividade ou de humor;

– Crescente isolamento de amigos e família;

– Diminuição do rendimento escolar;

– Autoagressão;

– Mudanças no vestuário para cobrir partes do corpo (por exemplo, vestindo blusas de manga comprida) e

– Relutância em participar de atividades físicas que antes eram apreciadas, particularmente aquelas que envolvem o uso de shorts ou roupas de banho, por exemplo.

Também são fatores de risco:

– Histórico de tentativas de suicídio ou autoagressão;

– Histórico de transtorno mental;

– Bullying (e/ou cyberbullying);

– Violência intra ou extrafamiliar;

– História de abuso sexual;

– Suicídio(s) na família;

– Baixa autoestima;

– Uso de álcool e outras drogas;

– Populações vulneráveis a pressões sociais e discriminação (LGBTI+, indígenas, negros/as, situação de rua, entre outros).

André também falou de importantes ações de prevenção que podem ser usadas no cuidado a essas pessoas, como a redução do acesso a métodos de suicídio, treinamento e atualizações das equipes de saúde, melhora da rede de atendimento e controle de bebidas alcoólicas. Por outro lado, o médico também ressaltou que há ações de prevenção com efeito contrário, sendo na verdade prejudiciais.

O que evitar:

– Evite romantizar ou glorificar o suicídio;

– Não dê detalhes excessivos sobre como o evento ocorreu;

– Não descreva o ato como corajoso ou racional;

– Não criar espaços de homenagens ou dedicatórias a pessoa que morreu;

– Reconheça a perda e as dificuldades, mas evite mudar a rotina o máximo possível;

– Evite grandes reuniões em massa focando no caso.

Fonte: https://saude.rs.gov.br

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